Dominar a língua portuguesa é uma ferramenta indispensável para a comunicação eficaz, e um dos pilares para isso é a correta aplicação da concordância verbal. Embora possa parecer um desafio complexo à primeira vista, entender suas regras essenciais transforma a escrita e a fala, conferindo clareza, precisão e credibilidade. Para profissionais de todas as áreas, especialmente no jornalismo, uma mensagem bem estruturada evita ambiguidades e reforça a autoridade de quem a transmite. A jornada para dominar este aspecto da gramática pode ser muito mais descomplicada do que se imagina, exigindo apenas atenção aos detalhes que conectam o verbo ao sujeito da oração.
Este guia foi elaborado para servir como um material de consulta prático e objetivo. Aqui, no Jornal a Voz, acreditamos que o conhecimento deve ser acessível e de fácil compreensão. Por isso, abordaremos desde o princípio fundamental da concordância verbal até os casos especiais que frequentemente geram dúvidas. A proposta é apresentar a lógica por trás das regras de forma descomplicada, permitindo que você aplique esses conceitos de maneira natural em seu dia a dia, seja na redação de um e-mail importante, na elaboração de um relatório ou na publicação de uma matéria jornalística.
O Princípio Básico da Concordância Verbal
A regra de ouro, o ponto de partida para qualquer análise, é bastante direta: o verbo concorda em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) com o sujeito da oração. Identificar corretamente o sujeito é, portanto, o passo mais crucial para uma concordância impecável. Quando o sujeito é simples, ou seja, possui apenas um núcleo, a aplicação é intuitiva e descomplicada. Observe os exemplos:
- Exemplo 1: O repórter investiga o caso. (Sujeito “O repórter” no singular leva o verbo “investiga” para o singular).
- Exemplo 2: Os repórteres investigam o caso. (Sujeito “Os repórteres” no plural leva o verbo “investigam” para o plural).
- Exemplo 3: Nós apuramos todas as informações. (Sujeito “Nós”, 1ª pessoa do plural, exige o verbo “apuramos” na 1ª pessoa do plural).
Essa base sólida é o que sustenta todas as outras regras e exceções. Compreender essa relação direta entre sujeito e verbo é o que permite avançar para situações mais complexas com segurança.
Principais Regras de Concordância Verbal e Seus Detalhes
A partir da regra geral, surgem casos específicos que merecem atenção redobrada. Conhecê-los é fundamental para evitar os erros mais comuns e garantir a correção gramatical em qualquer texto.
Sujeito Composto
Quando o sujeito é formado por dois ou mais núcleos, ele é classificado como composto. A regra geral é que o verbo vá para o plural.
- Regra geral: O editor e o fotógrafo chegaram à redação.
- Quando o sujeito vem depois do verbo: Se o sujeito composto estiver posposto ao verbo, há duas possibilidades de concordância. O verbo pode ir para o plural ou concordar com o núcleo mais próximo. Exemplo: Chegou o editor e o fotógrafo. OU Chegaram o editor e o fotógrafo.
- Núcleos ligados por “ou”: Se a conjunção “ou” indicar exclusão, o verbo fica no singular. Exemplo: Pedro ou João será o representante. Se indicar inclusão ou retificação, o verbo vai para o plural. Exemplo: O calor ou o frio excessivos prejudicam a saúde.
Expressões Partitivas e Coletivos
Expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “a maior parte de”, seguidas de um substantivo no plural, permitem duas formas de concordância.
- Concordância opcional: O verbo pode concordar com a expressão partitiva (ficando no singular) ou com o substantivo seguinte (indo para o plural). Exemplo: A maioria dos jornalistas aprovou a pauta. OU A maioria dos jornalistas aprovaram a pauta. Ambas as formas são consideradas corretas, embora o uso do singular seja mais comum na linguagem formal.
- Sujeito coletivo: Quando o sujeito é um substantivo coletivo (equipe, multidão, povo), o verbo fica no singular. Exemplo: A equipe de filmagem gravou a cena. Contudo, se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. Exemplo: Uma multidão de manifestantes invadiu / invadiram a praça.
Casos Especiais que Geram Dúvidas Frequentes
Alguns verbos e construções possuem regras de concordância verbal muito específicas. Dominá-los é um diferencial para uma comunicação precisa e profissional.
Verbos Impessoais: Haver, Fazer e Ir
Certos verbos, quando usados em contextos específicos, não possuem sujeito e devem permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.
- Verbo Haver: No sentido de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, o verbo “haver” é impessoal. Exemplo: Havia muitos problemas a serem resolvidos. (E não “Haviam”).
- Verbo Fazer e Ir: Indicando tempo decorrido ou clima, também são impessoais. Exemplo: Faz dez anos que ele trabalha no jornal. Exemplo: Vai para dois meses que a lei foi aprovada.
Pronomes Relativos “Que” e “Quem”
A concordância com pronomes relativos depende do antecedente, ou seja, da palavra a que eles se referem.
- Pronome “Que”: O verbo concorda diretamente com o antecedente do pronome. Exemplo: Fomos nós que publicamos a notícia. Exemplo: Foi o artigo que ganhou o prêmio.
- Pronome “Quem”: Geralmente, o verbo fica na 3ª pessoa do singular. Contudo, também é aceito que o verbo concorde com o antecedente. Exemplo: Fui eu quem escreveu o editorial. (Mais comum). OU Fui eu quem escrevi o editorial. (Menos comum, mas aceito).
Expressão “Um dos que”
Essa construção também admite dupla concordância, sendo o plural a forma preferencial entre os gramáticos.
Exemplo: Ele foi um dos jornalistas que mais cobriram o evento. (Concordância com “jornalistas”).
Exemplo: Ele foi um dos jornalistas que mais cobriu o evento. (Concordância com “um”).
Perguntas Frequentes sobre concordância verbal
Qual é a regra básica da concordância verbal?
A regra fundamental é que o verbo deve sempre concordar em número (singular ou plural) e em pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) com o sujeito da oração. Identificar o sujeito é o primeiro passo para acertar a concordância.
Como o verbo “haver” deve ser conjugado?
Quando o verbo “haver” é usado com o sentido de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, ele é um verbo impessoal. Isso significa que ele não tem sujeito e deve permanecer sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do restante da frase. Exemplo: “Havia poucas testemunhas no local.”
Com sujeito composto, o verbo fica sempre no plural?
Na maioria dos casos, sim. Se o sujeito composto (com mais de um núcleo) vier antes do verbo, o verbo obrigatoriamente vai para o plural. Contudo, se o sujeito vier depois do verbo, há a opção de usar o verbo no plural ou fazê-lo concordar com o núcleo mais próximo.
A expressão “a maioria de” exige verbo no singular ou no plural?
Ambas as formas são gramaticalmente aceitas. O verbo pode concordar com a palavra “maioria” (singular) ou com o termo no plural que a especifica. Exemplo: “A maioria dos eleitores votou / votaram.” A forma no singular é frequentemente preferida em contextos mais formais.
Como funciona a concordância com o pronome relativo “que”?
Com o pronome relativo “que”, o verbo deve concordar com o termo que vem imediatamente antes dele, chamado de antecedente. Exemplo: “Foram os editores que decidiram a pauta.” (Verbo “decidiram” concorda com “editores”).





